quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Matéria: Cães de Assistência



“Cães não falham: são olhos para os cegos, ouvidos para os surdos e companheiros para os doentes” (Revista National Geographic Brasil nº21)


Embora estes cães não sejam comuns no Brasil, eles existem em grande quantidade ao redor do mundo e desempenham um importante papel social. Estes cães são companheiros insearáveis de seus donos e cães-guia assim como os demais cães treinados para auxiliar pessoas com deficiências físicas são tratados como “funcionários públicos” e são obrigatoriamente aceitos em qualquer local mesmo que este local não aceite animais, como por exemplo restaurantes e transportes coletivos.
O treinamento de um cachorro para desempenhar uma função tão importante é muito caro, por isso apenas as raças consideradas obedientes e de fácil apredizado costumam ser treinadas para esse fim. Essas raças podem variar dependendo do país e da finalidade específica, contudo, raças obedientes e de fácil manutenção como o labrador e o golden retriever estão entre as mais utilizadas em todo o mundo. O principal papel desses cães é proporcionar um maior grau de independência para os portadores de deficiência, seja ela visual, auditiva ou de locomoção. Estes cães porém desempenham um outro papel igualmente importante: o de minimizar o isolamento social destas pessoas.

•Os cães guia de cego

Os cães começaram a ser treinados para esta função principalmente após o fim da Primeira guerra mundial. Os primeiros centros de treinamento datam de 1926. Com o retorno dos soldados para casa constatou-se um grande números de veteranos que haviam ficado cegos durante a guerra, estas pessoas, cegas a relativamente pouco tempo, não estavam acostumadoas e se orientar em um mundo sem luz como os cegos de nascença. Durante a guerra, cães militares também foram amplamente utilizados e já haviam demonstrado sua grande capacidade e coragem. Foi durante a grande comoção pública do pós-guerra, quando as tragédias da guerra estavam sendo reveladas, e, visando ajudar os soldados cegos, que começaram a ser treinados os primeiros cães-guia de cegos.

Os mais conhecidos destes cães são pastores alemães, labradores e golden retrievers, mestiços de labrador e golden retriever também são utilizados para este fim, estas raças são mais utilizadas devido a sua adestrabilidade mas outras raças também podem e são treinadas para esta função. Mais recentemente os mestiços de labradores e poodles estão começando a ser empregados em alguns países como alternativa para pessoas cegas que são alérgicas ao pêlo dos cães (o pêlo dos poodles é considerado menos alérgico).

Os cães são fornecidos por criadores específicos, voltados exclusivamente para essa finalidade. Depois de separados das mães são encaminhados para “famílias de criação” ( pessoas que se voluntariam para adotarem provisóriamente os filhotes) que cuidam dos filhotes até a idade de um ano, quando eles são encaminhados para as escolas. O treinamento propriamente dito dura meses nos quais o cão aprende, entre outras coisas, obediência básica e como se portar dentro de ambientes como super mercados e escritórios. O cão guia também deve saber conduzir seu dono em meio a obstáculos (obstáculos podem ser desde pedras e buracos até outras pessoas andando) e a atravessar a rua com segurança e a apanhar objetos do dono que porventura caiam no chão.

Os cães que recebem esse treinamento devem ser testados negativamente para doenças hereditárias como a displasia coxofemoral ( labradores e goldens são suscetíveis a esse mal), uma vez que cães com esse tipo de problema necessitariam de cuidados de seus donos eles não servem para o trabalho de cão guia. O treinamento de um cão é muito caro para o estado e seria um grande prejuízo treinar um cão que não poderá ser entregue a um deficiente visual posteriormente.

Depois do treinamento, o cão e seu dono estão prontos para a vida cotidiana. A dupla cão-homem dura até a velhice do cão que é então redirecionado para um lar adotivo que cuidará dele nesta fase e um outro cão será fornecido pela escola para o antigo dono. Algumas vezes o próprio deficiente fica com o cão como companhia e recebe outro para guia, mas estes casos não são comuns pois a essoa necessita ter condições de cuidar do cão (algumas vezes é a família do próprio deficiente que cuida do animal), pois neste tipo de relacionamento normalmente é o cão que cuida do dono e não o contrário.

No Brasil, embora não muito divulgada, existe a tentativa de criar uma escola de Cães-Guia, a escola Helen Keller, primeira em um país subdesenvolvido. Esta iniciativa começou no Rio de Janeiro através da Sociedade Luiz Fernando Baré, uma entidade voltada ao amparo médico e social de pacientes hemofílicos.

Pessoas hemofílicas costumam ter dificuldades para caminhar e utilizar transportes públicos devido aos freqüentes sangramentos intra-articulares que ocorrem principalmente nos membros inferiores, o primeiro projeto, criado a aproximadamente 12 anos visava treinar cães para auxiliar estas pessoas. Infelizmente o projeto não pode prosseguir devido a problemas com o SUS – Sistema Único de Saúde. A idéia prosseguiu, não mais tendo em vista os hemofílicos, mas sim os cegos. Um grupo de Florianópolis fundou a Sociedade de Amigos de Cães-Guia para Cegos que posteriormente passou a se chamar Escola de Cães Guias Helen Keller e recebe ajuda do Lions international. A instituição funciona atualmente e aceita voluntários.


•O cão do portador de deficiência de locomoção
Estes cães são formados em escolas semelhantes a dos cães guia, e desempenham basicamente as mesmas funções com a diferença que devem abrir e fechar portas, acender lâmpadas e ajudar a puxar a cadeira de rodas em alguns terrenos.

As raças mais utilizadas são o labrador e o golden, e um mestiço dos mesmos. O cão passa pelo mesmo processo de “família de criação”, treinamento, serviço e aposentadoria, a formação de cada um destes cães custa aproximadamente 50.000 francos ao estado (dados da França).

A ANECAH é a organização francesa que deu inicio ao treinamento deste tipo de cão no país e foi fundada em 1989. É válido lembrar que embora a maioria destes cães sejam das raças citadas, existem exceções, há casos de dobermans trabalhando nesta função e de São Bernardos que vivem com portadores de formas graves de diabetes (o que pode dificultar a locomoção, entre outras coisas).

•O cão do deficiente auditivo

O cão do deficiente auditivo tem como função alertar seu dono para diversos sons tais como campainhas, alarmes de incêndio, buzinas, entre outros. A fundação responsável pelo treinamento destes cães na Holanda, a Soho, foi fundada em 1984 e este país é atualmente o maior possuidor de cães trabalhando nesta função. Os Países Baixos normalmente importam os cães que serão treinados da Grã-Bretanha e as raças mais utilizadas neste trabalho são o collie barbado (bearded collie), o golden retriever e welsh corgi cardigan e pembroke embora em outros países outras raças podem ser utilizadas. Há casos, nos Estados Unidos, de Pugs treinados para esta função. Entretanto, este caso representa a exceção e não a regra.

Muitos donos de cães que passam a necessitar de um cão para deficiêntes auditivos por consequência de um acidente, muitas vezes preferem que seus próprios cães sejam treinados para ajudá-los. Dessa maneira muitos cães de raças variadas acabam sendo utilizados para esta e outras funções.

A principal exigência de um cão de deficientes auditivos é a sua adaptabilidade aos comandos de voz, uma vez que a voz de seus donos geralmente é distorcida (portadores de deficiência auditiva freqüentemente não aprendem a falar corretamente).


Referências utilizadas:
•Enciclopédia do cão Royal Canin
•Animal planet

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